Lionel Messi (que deu a vitória à Argentina contra o Brasil na quarta-feira) e Cristiano Ronaldo (astro da goleada de Portugal contra a Espanha, no mesmo dia) são os deuses modernos de um jogo disputado em todas as partes do planeta. Eles são jovens. Eles vivem um sonho. Eles, no entanto, ainda estão explorando suas limitações. E, porque ainda estão crescendo, não sabemos seu lugar entre os grandes.
Em um aspecto, porém, eles já estão no topo. Eles transcendem o campeonato que disputam. Raramente ocorre uma partida em que não conseguem sacar um truque que garante a alegria de vê-los em ação. Mas, além disso, eles são os artilheiros de seus times. Você teria de voltar 50 anos, aos tempos de Alfredo Di Stefano no Real Madrid, para encontrar tal fenômeno.
Di Stefano era o craque, o maestro da orquestra do Real. E por causa do seu ego, porque podia fazê-lo, ele se igualou, ou quase se igualou, a um dos mais extraordinários atacantes do futebol - Ferenc Puskas. Você marca, eu marco, era a festa de ambos, semana após semana, por quase uma década em Madri.
Em qualquer outra época, poderíamos separar os goleadores dos criadores talentosos. Gerd Mueller foi um goleador. Raul foi e é um goleador. Hoje, no Barcelona, David Villa é o pistoleiro contratado para fazer gols. Em Madri o papel é de Gonzalo Higuaín. Eles são bons - muito, muito bons - finalizadores. Mais aqui está a questão: Messi e Ronaldo vem marcando com consistência ainda maior. Mais do que isso, estão marcando e criando, conquistando gols.
Estilos distintos - Messi é o silêncio, Cristiano Ronaldo, o showman. Messi fica na altura do queixo de Ronaldo. Ele é um manequim de um Adonis, um Mini para uma Maserati. Poderemos fazer uma comparação direta quando Messi e o Barcelona enfrentarem Ronaldo e o Real Madrid em 29 de novembro, no Camp Nou.
Messi, com 23 anos, está no Barça desde a puberdade. Cresceu no estilo do clube, e sabia antes mesmo de crescer e entrar no time como Xavi Hernandez faria os passes ou Andres Iniesta correria com a bola. A maturidade de Messi, de um estreante de 16 anos a algo que está próximo de um produto acabado, tem sido uma espiral consistente. Desde que Pep Guardiola, ex-capitão do time, se tornou treinador há dois anos, Messi se transformou no principal atacante.
Ele tem liberdade para se mover onde sua habilidade, instinto e determinação o levarem. Foi aprendiz de Ronaldinho Gaúcho, depois se encaixava com Samuel Eto'o, e jogou com Zlatan Ibrahimovic. Agora Villa é seu principal cúmplice no ataque. Em 69 partidas com Guardiola, Messi já marcou 66 gols. Além disso, olhe para as 21 assistências, ou passes finais, que Messi fez. Isso soma 87 gols marcados ou criados por um jogador em 69 partidas.
O gráfico de Cristiano Ronaldo durante o mesmo período é de 46 gols e 13 assistências em 52 jogos. Mas Ronaldo, 25 anos, é o principal cobrador de pênaltis do Real. Ele também é, talvez, o atacante mais completo do mundo em cobranças de faltas. Em seu timing ao chutar uma bola parada, em sua capacidade de dar efeito e fazé-la girar como se por controle remoto, é melhor do que David Beckham.
Rigor e caprichos - Lembre-se que Ronaldo mudou de clubes - e de culturas - duas vezes. Ainda menino, foi instruído no Sporting de Lisboa e como adolescente foi alimentado por Alex Ferguson no Manchester United. Agora, ao escolher jogar no Real Madrid, está sob seu segundo treinador em dois anos.
O novo treinador, José Mourinho, faz exigências distintas aos jogadores que seu antecessor, Manuel Pellegrini. Um ano atrás, Ronaldo receberia licença para seguir seus caprichos. Isso porque Mourinho – português como Ronaldo – tem uma metodologia muito mais rigorosa. Ele deixa Ronaldo respirar, mas dentro de um quadro que torna a equipe mais sólida, com um espírito defensivo.
Há estatísticas que mostram o papel de cada jogador. Computadores trabalham em cada metro que os jogadores correm, cada batida de seus corações, cada gota de energia despendida. Mas ninguém se apaixona por esses dados. Fatos e números nunca irão substituir a emoção de ver Messi e Ronaldo fazer o inesperado. Devemos usar a palavra com parcimônia, mas é o que se chama gênio.
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